BRASIL, Sudeste, BELO HORIZONTE, Mulher, de 26 a 35 anos, Portuguese, English
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Entre o desejo e o ato

Havia um pacto silencioso entre eles. Algo que não se percebia e nem adivinhava... Não transpareciam em palavras, em gestos, em nada! Mas, além disso, imaginavam. E todas as noites antes de dormir ele deitava em sua cama e pensava nela. Imaginava que invadia sua casa, a jogava na cama e com ardor arrancava suas roupas. Beijava seus seios com ânsia, a lambia e a fazia soltar gemidos de prazer... Fazia amor com ela de todas as formas, com todos os prazeres... Suados, excitados e querendo mais... Gozavam uma, duas, quatro vezes... Insaciáveis! Só de imaginar, ele já ficava excitado. Incontido!
Ela já perdia o sono. Não conseguia mais dormir! Não encontrava formas de extravasar a vontade que tinha de fazer sexo com ele. E tal como ele, apenas imaginava... Ela podia até sentir a respiração dele... Sua boca percorrendo cada canto do corpo. Peitos, pescoço, barriga e onde mais pudesse ousar! Conseguia até mesmo ver a cara que ele fazia quando ela o lambia! E ela, sem receio, faria amor com ele em qualquer canto... De todas as formas! Cada noite ela imaginava os dois em um lugar: mesa da cozinha, banheiro, cama, sofá... Dentro e fora do carro! No elevador... De imaginação em imaginação ela se sentia molhada... Desejosa! Gozava de tanto pensar...
Mas, como sair do pensamento ao gesto? Era a pergunta. Ela teria que tentar. Ele resolveu tentar.
Encontraram-se. Trocaram palavras triviais de sempre. Ele ousou um olhar para o decote dela. Ela percebeu! Aproximou-se. Mais ainda. Ele apenas esperou que ela chegasse mais perto.Ela pegou a mão dele e colocou nos seus seios. A respiração parou. Olharam-se como se descobrissem tudo o que pensavam. Ele não pensou. Abriu a blusa dela com força e beijou seus seios arrepiados! Desceu suas mãos até o sexo dela e percebeu como estava excitada...Amaram-se bem ali... Com tanta gana e vontade! E como tinham imaginado, de todos os jeitos! Muitas vezes...
“Mas estes são os normais e a normalidade não dá crônica …” por Luis Fernando Veríssimo.
Não sei mais…
Desculpe-me! Eu não sei amar.
Não sei mais como se faz. Perdi a naturalidade apaixonante, penso matematicamente diante de cada fato. E pior, não obtenho resultados.
“Devo ligar? E se ligar, o que ele vai pensar? Vou ligar. É um ato natural”.
E o amor não é isso.
Perdi o gesto espontâneo. Ferida aberta que nunca cicatriza. Feito uma montanha de lixo, acumulei uma dor sobre a outra, até esconder completamente a simplicidade da coisa.
Avisa para ele que não vai dar. É tão bom quando o objetivo é não ter objetivo. Talvez e por isso sempre preferi os amigos. Amor que nasce de amizade é tão “normal” como flor que nasce em mata.
Mas, se for planejar, se for ir ficando para tentar descobrir. Assim eu não sei!
Eu, tristemente desaprendi, como se faz para amar.
O poder da teoria

Desde nossas antepassadas feministas, conquistamos, invadimos, fizemos usucapião de cargos antologicamente masculinos... Elas queimaram sutiens para que nós pudéssemos trabalhar dentro e fora de casa, ter filhos, educá-los, dar amor aos nossos maridos e tentarmos permanecer sexies e belas. Nossa! Será que isso foi bom?! Bem, mas o assunto não é esse! Agora não... Quero falar disso depois. Voltando ao assunto: em tempos de mulheres-melancias e outras frutas enormes, centenas de mulheres se olham no espelho diariamente e se perguntam: “O quê há de errado comigo? Por que estou sozinha? Sou independente, eu malho, tenho glúteos firmes, falo três idiomas e até bebo uma cervejinha... “
Meninas acreditem! Não há nada de errado com vocês, é a lei da oferta e procura. Façamos as contas: de cada dez amigos que você tem, quantos deles são gays? Mas, por favor, enrustidos também são gays, por mais que eles digam que têm uma namorada, mas que você NUNCA viu. Tirando os gays, sobram os comprometidos – por favor, não os considere como fator de adição, homem comprometido é sempre menos. Pois bem, tiram-se os homossexuais, os comprometidos, sobra aquele seu amigo legalzinho que você já tentou apresentar para prima, irmã, vizinha e tal, mas não emplaca com ninguém e nem adianta tentar com você.
E só para completar, segundo pesquisas – e olha que não devíamos confiar tanto em pesquisas! - nascem mais mulheres que homens no mundo, além do que as guerras, acidentes de trânsito e outras coisinhas de macho-conquistador reforçam ainda mais essa diferença.
Acho que ouvi um enorme suspiro! São centenas, milhares de mulheres satisfeitas temporariamente com minha teoria.
Afinal, se vivemos num mundo que exige cada vez mais de nós, se queremos ser mães e profissionais, se o mundo caminha para a homossexualidade, se a TV vende mulheres seminuas como carnes em açougue, só nos resta uma coisa: ser inteligentes o suficiente para esperar o homem inteligente também o suficiente. Sim, eles existem e eu conheço inúmeros exemplares.
Boa sorte garotas!
Quando o amor é livre

Avós são o amor na forma delicada… Suave! É o amor despretensioso, desprendido … É quando não há regras e nem exigências. É o amor que está livre. Outrora foram amor presos em gaiolas, quando tinham que educar, disciplinar e instruir os filhos. Mas, quando estes filhos se tornaram netos, o amor voou. Foi alto!
As histórias mais ternas são aquelas que remetem aos nossos avós.
Eu posso fechar os olhos e sentir novamente todas as sensações que o carinho deles me trouxe. Eu sinto o cheiro do biscoito frito que só a vovó Maria sabe fazer… O ar fresco da roça, o dia começando e meu avô Ulisses no curral… As férias em que eu pisava na grama e fazia casinhas debaixo dos pés de jabuticaba. Os beliscõezinhos que meu avô nos dava por não saber nos acarinhar de outra forma.
E assim, de uma saudade gostosa da minha avó paterna Izaltina. Quando me chamava de bonequinha e dizia que eu era parecida com toda atriz de cabelo preto e cacheado feito o meu! Sinto falta de um avô Francisco, que foi pouco tempo antes que eu nascesse … Das histórias que contam dele! De sua severidade, do corpo pequeno e magro.
Avós são personagens de delicadezas. Como a avó de uma amiga minha, que em tempos frios, acordava mais cedo e mornava a água para que os netinhos lavassem o rosto em água quentinha. Como a outra avó que fazia na panelinha separada a comida da netinha que não gostava de cebola… Fatos de um carinho que não aguarda retorno, é doação intensa.
Nesses tempos em que vemos os valores familiares perdendo a força, é bom lembrar de um amor que não tem preço.
Beijo dona Maria, Sr Ulissinho… Saudade dona Izaltina, a bênção Sr. Chiquinho.
Estranhezas

Ontem num golpe fatal, tentando dar uma de bailarina do Faustão, arremessei minha perna às alturas (nem tanta altura assim porque eu só tenho 1m57cm). E foi exatamente aí que meu lindo scarpin preto voou num duplo carpado e voltou para minha testa... A parte da frente dele, só para frisar, aquela pontuda. Estou meio tonta até agora! Tudo bem que as inúmeras Cubas contribuíram, mas a vingança do sapato arremessado foi decisiva.
Têm coisas que só acontecem comigo!
PARTE I
Os homens que não amei

O Beto foi meu primeiro amor. Lembro – me muito bem! Nós de uniformezinhos vermelho e branco, conguinhas no pé e lápis na mão. Sentados lado a lado... Talvez, eu era pra ele uma coleguinha, mas para mim ele era um lindo menininho por quem eu tinha apreço, seria estranho dizer amor. Depois de longos rápidos vinte anos, Beto não é meu amor, é meu amigo. Meu amigo gay! Não acho que comecei minha vida sentimental equivocada, equivocado foi tudo que eu vivi depois, com homens “aparentemente” mui machos (...) Beto tem ganhado de todos eles, até hoje.
Após Beto, vivi uma fase gandaieira. Ele naquela época não gostava de mim, preferia a Paty, portanto achei que deveria amar muitos de uma só vez. Se um me magoasse, teria outros pra pensar... Aliás, aos 08 anos eu tinha mais bom senso do que hoje. Eu bem que deveria tentar fazer isso agora!
Então, na segunda série, sempre que alguém me perguntava “quem é seu namoradinho?”, eu dizia “tenho dez!”. E contava, assim usando os dedos das mãos, os nomes daqueles colegas de classe que eu achava mais bonitos, e achar bonito para mim, era amor. Nossa! Se assim fosse, eu verdadeiramente AMO o Marcos Palmeiras, com aquele ar rústico, bem homem brasileiro...
Voltando ao assunto, quando desisti de amar dez ao mesmo tempo, passei por fases monogâmicas: amei Jonas, baixinho como eu. Amei Fred, lindo e irmão da minha melhor amiga – tinha sempre ótimos motivos para visitá-la. O fato é que em 1992, quando Collor sofria seu impeachment, meu doce diário só tinha um personagem: Fred e seus lindos cabelos lisos. Pra falar a verdade, bem depois de 92 eu ainda nutria uma vontade oculta de beijá-lo, mas ele gostava muito de mim, no bom clichê A – M – I – G – A. E acabei desistindo!
Aos onze não lembro de amar ninguém.
Aos doze tive minha primeira (de muitas outras) desilusões com o cruel universo masculino. Amei Cássio, três anos mais velhos e bem vividos. Nossa que experiência em iludir ingênuas garotinhas. Ele na sua possante bicicleta 12 marchas, ia na casa da menina da rua paralela, depois na minha e depois duas ruas abaixo, dizer doces palavrinhas. Qual foi o baque quando descobri que o Dom Juan não me amava. Sofri!
PARTE II
Pois bem, beijei Davi. Um beijoqueiro que rodou minha turma bons anos depois. Foi tão casual, aquele tipo objeto experimental. Lembro que na hora do lance, eu só pensava num sábio conselho de uma colega: “Tudo que ele fizer você faz, se ele vira a cabeça pra lá, você vira pra cá!” Muito engraçado! De Davi nada levei, apenas o primeiro beijo.
Porém, a satisfação sentimental viria poucos meses depois. Fui amada! Aos doze anos, após uma ingênua dança de quadrilha, conquistei o coração de um mocinho. Mateus, mais novo e muito bonito, se apaixonou por mim. Detalhe, ele abandonou a Paty, aquela mesma do Beto, pra me amar. Dessa vez, eu fui a soberana! E Mateus, gostou de mim por meio de cartas e pouquíssimos beijos, durante quase três anos. Eu nunca o amei mesmo, considerava-o imaturo. Afinal, eu tinha 14 e ele 13 anos. Eu era muito mais velha! Não daria certo.
E abandonei Mateus por Rodrigo. No mesmo dia, disse adeus a um e caí nos braços do outro. Um rapaz cujo namorico durou um ano e por quem depois, eu curti longos anos de amor platônico, escrevendo cartas que nunca foram enviadas. Sonhando, entre términos e voltas dele com outras, quisá um dia retornar pra mim. Estilo novela mexicana mesmo! Dramática, intensa... Foi nessa época que cultivei o gosto por lamúrias sertanejas rsrs
Ressuscitada, bem decidida – não tão decidida assim; encontrei amores correspondidos. Histórias de lindo início e finais infelizes. Fui paixão de motoqueiro, amor impossível de um amigo que me achava inteligente e confusa, personagem de amizades que viraram paixão. Sempre cultivei relacionamentos vindos de bons papos e conhecimento. No final perde-se um amigo e ganha-se sabe lá o quê.
Fui traída muitas vezes e traí apenas duas, sempre fiz o tipo fiel. Quem sabe por isso...
Pois bem, voltando ao Beto, aquele que vou encontrar mais tarde pra beber uma cerveja e conversar bobagens, acho que devo estar no caminho. Eu não encontrei minha alma gêmea, o Beto sim, mas somam-se as experiências, as boas lembranças e os erros, antes trágicos, hoje hilários. Aprendi que o cara certo deve está por aí, se ele for um príncipe, deve ter caído do cavalo porque ainda não chegou. Se for um companheiro, deve estar treinando até chegar a mim... Só espero que não demore tanto! Afinal, os peitos caem, o romantismo escoa com os anos, mulheres têm data-limite para ter filhos. E eu, quero cinco! Ou dois... Ainda não decidi!
No divã
Ainda vou procurar um terapeuta para resolver uma questão antiga. A difícil arte de dizer NÃO! Puxa, como é complicado pra mim dizer não as pessoas. E tenho percebido que, quanto mais evito usar a tal palavrinha, em muitas enrascadas eu entro. Sou do tipo de pessoa, que todo mundo convida para alguma coisa: churrasquinho com a galera, visita à tia doente, balada tenebrosa e outras. E pior: ninguém fica satisfeito com minha primeira negativa. Insistem!!! E não posso com insistência… Vem logo aquela raiva que sobre pela garganta, querendo dizer, mas não diz: “Já disse não! Não quero. Não posso. Não gosto. Não vou. Pronto!” Alivia só de escrever, mas no dia-a-dia não é assim… E quando tentam me vender algo usado então? Pelo-amor-de-Deus…
Certa vez, ouvi a atriz Luana Piovani – que está longe de ser um modelo de simpatia – dizer que as pessoas deveriam todos os dias de manhã ligar o desconfiômetro. Concordo com você Piovani! Um dia poderemos conversar melhor sobre isso.
As pessoas têm que parar com essa mania de gostar só de quem concorda, que fala sim e tal e coisa. Poxa! Se cada um de nós é diferente, teremos obviamente, preferências diferentes.
Contente-se com meu primeiro não. Mesmo porque não sou do tipo que faz charminho. Se quero: falo, se concordo: eu vou. Simples assim!

Dia 07 de abril – Dia do Jornalista
Eis me aqui! Pronta (…)
A propósito Um dia hei de ser uma boa menina. Terei sorrisos discretos e palavras comedidas. Não darei palpites, pitacos e jamais vou escancarar meus sentimentos. O que fiz, o por quê, o perdão por ter errado. Serei aquelas moças que sentam mui delicadamente, cometem pouquíssimas gafes, pois são leves e vagarosas... Deixarei de lado, ou melhor, trancarei esse sentimento pelo mundo. Não vou tentar entender o não-amor, nem o por quê de não amar. Nem vou achar estranho o não-tentar. Eu assim, com tantas explicações, risadas e atitudes apaixonadas. Crendo em algo mais... Tão “cigarra de La Fontaine”! Ah um dia! Vou ser sim uma boa menina. Devo tentar... E Deus, em sua infinita ironia, quem sabe ao me receber dirá: “Boas meninas não entram no céu!”
No mundo do boteco

Todo boteco é um universo paralelo. Cada um é o que quer, e isso varia de acordo com a quantidade de cervejas que o sujeito já bebeu.
No boteco cada mesa é um planeta, e em volta dele satélites de cabelos loiros e compridos, recém – formados exibindo gravatas, filosofias profundas e ao mesmo tempo ralas, garçons atarefados e cantadas que quase sempre dão certo!
A vida no boteco tem um sentido: beber e petiscar! Não necessariamente nesta ordem… Fala – se sobre sexo e sexo, mulheres sobre homens e homens falam sobre futebol. Não interessa muito o requinte ou falta dele porque o mais importante é o tamanho dos banheiros. Normalmente, as portinhas dos sexos estão lado a lado para que se permita diálogos tais:
_ Cheio né?
_ É…
_ Qual o seu nome?
_ Camila. E o seu?
_ Rafael…
Troca de beijinhos…
_ Ah.. Agora é minha vez!
_ Vai lá! ( Esse vai lá ao soar como: “Eu te dou a maior força para fazer um xixi legal!”)
Depois do encontro perto dos banheiros, eis que se veêm e unem os planetas: os satélites loiros com os recém-formados de gravata.
Elas vão bebericar quase que sexualmente a long neck e eles vão afrouxar as gravatas como quem quer abrir os zíperes. E falarão sobre o que fazem, o que querem e o que pretendem… Não com tanta sinceridade,mas como uma fina sutileza, própria de quem acaba de se conhecer…
Enquanto isso, o rei do universo paralelo (vulgo: o garçom), interrompe:
_ Mais uma?
_ Claro, claro…
Afinal, não há vida no boteco sem cerveja e satélites exóticos…
Minha mãe menininha.
“Sua irmã?”, “Sua tia?...”. Nãooo! Minha mãe... Tudo bem, além da aparência jovem, ela tem mesmo um jeito bem diferente das mães que eu conheço... A Naza, como minha mãe prefere ser chamada, vive mesmo como a chará: voltada para o espaço...
Engraçadíssima... Tem um tipo de humor infantil. Ela é capaz de dizer as coisas mais sinceras num tom simples e objetivo . E por quê não? Ingênuo. Seguido sempre de um “né?...” Como quem diz: Concorde comigo!
_ Mãeeeeeeeeee... Que é isso???
Não adianta. Ela já falou e ainda tenta explicar... Fica sempre pior !
Nunca fez o tipo dona-de-casa lava, limpa e cozinha. Nada, nada... Prática, ela me ensinou que é besteira passar roupa de cama... Vai amassar mesmo! Além de outras filosofias de vida: “A pior besteira que uma pessoa pode fazer é casar!”, “Enfeite de casa só serve para juntar poeira”, “Deixa dormir no chão, faz bem para coluna!...” e etc, etc...
De uma simplicidade cômica, às vezes penso em ir ao psicólogo resolver algumas coisas que ela me fez passar... Mas, depois penso bem e começo a rir... Hoje quando me lembro é até engraçado!
Como aquela vez que ela costurou para mim um vestidinho para dançar quadrilha. Para “dançar quadrilha” ele era lindo... Xadrez de preto e branco, tinha os punhos, a gola e o barrado de tiras vermelhas. Fiquei mesmo uma gracinha nele... Nove aninhos, rostinho angelical e duas trancinhas compridas à moda caipira. O fato é que ela deve ter me achado linda mesmo com aquele vestido... Porque só isso pode explicar ela ter me “obrigado” a sempre usá-lo nos lugares que íamos: era festinha de colegas, festa na cidade e até teatro... Eu batia o pé, chorava... Mas, ela sempre foi teimosa de doer e eu sempre cedia. Queria sair né? Triste era ter que ouvir as amiguinhas, naquela franqueza infantil, dizerem: “Esse seu vestidinho é de quadrilha não é?...” E sempre que comento essa história, minha mãe dá altas gargalhadas e diz: “Mas, o vestido era lindo. Nem parecia ser de quadrilha!”
Ai ai ai...
Fora o estilo “natureba”. É chá para tudo quanto é coisa: para pele, para a região dos olhos, para o intestino... Remédio só mesmo natural! Dia desses apareceu lá em casa uma garrafada – um vidro onde as pessoas misturam todo tipo de ervas e depois tomam. Na garrafa estava escrito: “Bom para o derrame...” Não consegui me conter e disse:
_ Iiiiiiiiiii mãe ... Se eu fosse você não tomava isso não!
_ Por que menina?
_ Uai bom para derrame... No mínimo ele teria que ser “para evitar o derrame" ...
Mas, nenhuma dessas piadinhas a convence. Ela continua no seu estilo mãe menininha de ser. Alheia às prendas do lar e ao tipo coruja. E gosto mesmo dela por isso e por tantos outros motivos. Desligada, fora dos padrões e bem moderninha: mesmo morando numa pequena cidade sua cabeça é acima. Nunca teve tabus, desconfianças... Aquele tipo de mãe que cria filho descalço na rua, não pergunta o que eu estava fazendo por ter chegado de madrugada. É como ela diz: “Notícia ruim chega depressa!” Jamais vai perder noite de sono pensando em coisas que "podem" acontecer...
E eu bem sei, que minha mãe tem um estilo de vida e maneiras de pensar que poucos têm coragem de admitir...
Menos técnica
PROTESTO. Verdade mais que verdadeira que não quero mesmo saber o cargo que você ocupa, o carro que dirige e ai meu Deus!, odeio quando os homens tentam dar uma noção de quanto é o salário deles.
Sou tão fácil menino! Por mais moderna que nós mulheres tenhamos que ser, prefiro me enganar por coisas menos burocráticas. Engano-me com um buquê de rosas vermelhas, doces palavras e um telefonemazinho piegas do gênero “Liguei só pra te desejar bom dia!”.Já que eu tenho a impressão que quando um homem se valoriza pelo o que tem, algo dele é bem falho. E pense o que quiser! Esse “falho” vai desde estranhezas de caráter, tais como jogar cueca suja em cima da cama ou arrotar escandalosamente; até mesmo ao dito órgão sexual masculino – talvez, muito pequenininho ou muito torto, tipo aquelas placas de trânsito “vire à esquerda”. E quando dúvidas como essas pairam no ar, eu prefiro mesmo dizer que tenho que ir embora e jamais, sobre hipótese nenhuma, ceder meu número de celular.
Gosto de homens que adoram uma reflexão banal, tipo papo de boteco: começamos a falar sobre o movimento do bar, passamos pelas pessoas que ali estão, vamos aos casos engraçados de família e terminamos falando besteiras de astrologia. Já que nessa hora podemos estar meio embriagados e para tontos, todo assunto é interessante.
Prefiro o gênero “homem que me faz rir”... Desses que admitem pequenos pecados e não esperam que uma mulher tire onda de “gostosa difícil”. Naturalidade sabe? Coisinha difícil hoje em dia.
Por isso, meus caros! Vamos desmistificar... Homens não são todos iguais e nem todas mulheres se interessam mais pela conta bancária do que por vocês. Tenho dito!
HOJE EU VOU...
_No dia 12 comemoramos meu aniversário. Estava super entusiasmada! Com direito a bolo e velinhas, reuni meus amigos num bar gostoso ao som de um sambinha. Tudo bem, eu confesso que me entusiasmei, bebi umas cachacinhas e beijei uns três. Afinal, era minha festa e eu tinha direito... O terceiro gatinho foi, quer dizer, gatinho não porque era um negão de mais de 1 metro e 80. Era gatão messssmo! Esse eu beijei e marquei encontro e tudo... Passada as comemorações, combinamos de nos encontrar num barzinho próximo a minha casa. Botei fé que o negócio ia rolar... Rolar mesmo!!! E eis que eu, toda produzida e perfumada, chego ao local e encontro meu pretendente. Caminhei elegante e decidida que seria “a noite”. Mas, qual foi minha surpresa quando me aproximo e percebo que ele vestia uma camisa preta cujas escritas “garrafais” em branco diziam: HOJE EU VOU TE COMER... (Desse jeito assim: camisa preta, escrita branca e três pontinhos).
_ Hahahahah ... Jura? Não estou acreditando Júlia?
_ Fala sério... hahahah _ gargalhou a Gabi. E o que você fez?
_ Como eu sou uma pessoa muito otimista, pensei: Ele deve trabalhar em alguma empresa de ramos alimentícios, tipo Bolos Vilma, Macarrão Santa Amália e veio direto do trabalho pra cá. Não teve tempo nem de tirar o uniforme, coitado! Porém, todavia e entretanto, achei por bem sentar do lado e ficar meio que ombros jogados pra frente dele... Já que nada me tirava da cabeça que o garçom do balcão estava morrendo de rir de mim. Conversamos um pouco e eu não conseguia tirar os olhos da camisa, no fundo eu estava louca para que ele levantasse e eu pudesse ler nas costas qual era o nome da empresa dele... Talvez Sopas Maggi ou quem sabe Arroz Tio João. Porque o HOJE EU VOU TE COMER... ressoava fundo na minha cabeça e saltava aos meus olhos e de todos os outros freqüentadores do bar.
_ E aí?
_ E aí amiga, que o moço levanta. Me pede licença para ir ao banheiro. Eu mais que depressa olho então para ver o que estava escrito na parte detrás da camisa. Também, em letras garrafais, eu li:... E VAI SER HOJE!
_ Não acredito!!!! _ a Gabi falava entre risadas
_ Quaaaaando ele volta, eu disse: Preciso ir embora!
_ Que é isso gata? Já?
_ Lembrei que tenho um compromisso sério.
_ Ah que pena... Eu te levo em casa.
_ NÃO! Não precisa... Eu moro pertinho! (Imagina gente, eu atravessando o bar com um negão enorme cuja camisa dizia: Eu vou te comer... e vai ser hoje!? E pior, eu ia acabar dando pra ele mesmo, mas precisava anunciar para TODO mundo do bar??? Ia ser a ordem natural das coisas, não precisava publicar... E até hoje ele me liga questionando por qual motivo nosso encontro não deu certo. No que eu respondo: Faltou química querido, química!!
*Baseado em fatos reais, contados em uma boa mesa de bar. Por questões éticas e de bom senso, foram usados codinomes nessa história... rs