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19/04/2008

PARTE I

Os homens que não amei 

 

 

O Beto foi meu primeiro amor. Lembro – me muito bem! Nós de uniformezinhos vermelho e branco, conguinhas no pé e lápis na mão. Sentados lado a lado... Talvez, eu era pra ele uma coleguinha, mas para mim ele era um lindo menininho por quem eu tinha apreço, seria estranho dizer amor. Depois de longos rápidos vinte anos, Beto não é meu amor, é meu amigo. Meu amigo gay! Não acho que comecei minha vida sentimental equivocada, equivocado foi tudo que eu vivi depois, com homens “aparentemente” mui machos (...) Beto tem ganhado de todos eles, até hoje.

Após Beto, vivi uma fase gandaieira. Ele naquela época não gostava de mim, preferia a Paty, portanto achei que deveria amar muitos de uma só vez. Se um me magoasse, teria outros pra pensar... Aliás, aos 08 anos eu tinha mais bom senso do que hoje. Eu bem que deveria tentar fazer isso agora!

Então, na segunda série, sempre que alguém me perguntava “quem é seu namoradinho?”, eu dizia “tenho dez!”. E contava, assim usando os dedos das mãos, os nomes daqueles colegas de classe que eu achava mais bonitos, e achar bonito para mim, era amor. Nossa! Se assim fosse, eu verdadeiramente AMO o Marcos Palmeiras, com aquele ar rústico, bem homem brasileiro...

Voltando ao assunto, quando desisti de amar dez ao mesmo tempo, passei por fases monogâmicas: amei Jonas, baixinho como eu. Amei Fred, lindo e irmão da minha melhor amiga – tinha sempre ótimos motivos para visitá-la. O fato é que em 1992, quando Collor sofria seu impeachment, meu doce diário só tinha um personagem: Fred e seus lindos cabelos lisos. Pra falar a verdade, bem depois de 92 eu ainda nutria uma vontade oculta de beijá-lo, mas ele gostava muito de mim, no bom clichê A – M – I – G – A. E acabei desistindo!

Aos onze não lembro de amar ninguém.

Aos doze tive minha primeira (de muitas outras) desilusões com o cruel universo masculino. Amei Cássio, três anos mais velhos e bem vividos. Nossa que experiência em iludir ingênuas garotinhas. Ele na sua possante bicicleta 12 marchas, ia na casa da menina da rua paralela, depois na minha e depois duas ruas abaixo, dizer doces palavrinhas. Qual foi o baque quando descobri que o Dom Juan não me amava. Sofri!

                E assim desiludida, resolvi que meu primeiro beijo seria de qualquer um. Acho que não pensei isso na época, muito sinceramente, mas hoje em minha vasta experiência percebo que foi isso sim.


Escrito por Cristiane Mendonça Almeida às 20h00
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PARTE II

Pois bem, beijei Davi. Um beijoqueiro que rodou minha turma bons anos depois. Foi tão casual, aquele tipo objeto experimental. Lembro que na hora do lance, eu só pensava num sábio conselho de uma colega: “Tudo que ele fizer você faz, se ele vira a cabeça pra lá, você vira pra cá!” Muito engraçado! De Davi nada levei, apenas o primeiro beijo.

Porém, a satisfação sentimental viria poucos meses depois. Fui amada! Aos doze anos, após uma ingênua dança de quadrilha, conquistei o coração de um mocinho. Mateus, mais novo e muito bonito, se apaixonou por mim. Detalhe, ele abandonou a Paty, aquela mesma do Beto, pra me amar. Dessa vez, eu fui a soberana! E Mateus, gostou de mim por meio de cartas e pouquíssimos beijos, durante quase três anos. Eu nunca o amei mesmo, considerava-o imaturo. Afinal, eu tinha 14 e ele 13 anos. Eu era muito mais velha! Não daria certo.

E abandonei Mateus por Rodrigo. No mesmo dia, disse adeus a um e caí nos braços do outro. Um rapaz cujo namorico durou um ano e por quem depois, eu curti longos anos de amor platônico, escrevendo cartas que nunca foram enviadas. Sonhando, entre términos e voltas dele com outras, quisá um dia retornar pra mim. Estilo novela mexicana mesmo! Dramática, intensa... Foi nessa época que cultivei o gosto por lamúrias sertanejas rsrs

Ressuscitada, bem decidida – não tão decidida assim; encontrei amores correspondidos. Histórias de lindo início e finais infelizes. Fui paixão de motoqueiro, amor impossível de um amigo que me achava inteligente e confusa, personagem de amizades que viraram paixão. Sempre cultivei relacionamentos vindos de bons papos e conhecimento. No final perde-se um amigo e ganha-se sabe lá o quê. 

Fui traída muitas vezes e traí apenas duas, sempre fiz o tipo fiel. Quem sabe por isso...

Pois bem, voltando ao Beto, aquele que vou encontrar mais tarde pra beber uma cerveja e conversar bobagens, acho que devo estar no caminho. Eu não encontrei minha alma gêmea, o Beto sim, mas somam-se as experiências, as boas lembranças e os erros, antes trágicos, hoje hilários.   Aprendi que o cara certo deve está por aí, se ele for um príncipe, deve ter caído do cavalo porque ainda não chegou. Se for um companheiro, deve estar treinando até chegar a mim... Só espero que não demore tanto! Afinal, os peitos caem, o romantismo escoa com os anos, mulheres têm data-limite para ter filhos. E eu, quero cinco! Ou dois... Ainda não decidi!

 


Escrito por Cristiane Mendonça Almeida às 19h59
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